Sei de
gente que não gosta de comer feijão, tomate ou carne.
Até batata! Como pode alguém não gostar de batata?!
No
entanto, nunca ouvi falar de alguém que não gostasse de
pipoca.
Pipoca
seria uma das coisas mais perfeitas do mundo, não fosse
aquela pelinha que fica nos dentes. Ninguém dá nada por
aqueles grãozinhos dos sabugos de milho que não se
desenvolveram adequadamente. Quem diria que aqueles
grãos têm tanta energia acumulada para, com um pouco de
calor, virar pipoca - branca, bonita, gostosa!
Comer
pipoca é uma delicia! Mas não aquela do cinema, de
microondas, com sabor de pizza (quando quero sabor de
pizza, como pizza!), ou com catchup por cima. Falo
daquela feita na panela, quentinha; bem simples e
barata.
É fácil
fazer uma boa pipoca: basta uma panela, com tampa;
milho; óleo bem quente e uma bacia reservada. Em alguns
minutos... Como é gostoso ouvir aquele estourinho... Até
ele diminuir, diminuir... Sal? Sal é posto depois, a
gosto.
Aí a
gente come tudo! Só sobram uns piruás - que são mais, ou
menos, dependendo do pipoqueiro.
Como
grãos de milho, tentando virar pipoca, são os
adolescentes. Cheios de energia acumulada e disposição,
prontos para explodir e se tornar algo belo.
Meu
espanto é com a quantidade de piruá que vemos pelo
mundo, atendendo nas lojas, bares e telefones;
projetando e construindo casas; julgando e defendendo
pessoas; em seus consultórios, escritórios e salas aula.
Por que
será que não viraram aquela pipoca bonita e gostosa?
Alguns
vão dizer que o milho não era bom. Concordo...Em parte.
Mas a grande responsabilidade é mesmo dos pipoqueiros:
pais; professores; editores de jornal, televisão,
Internet; chefes, presidentes etc. Ou seja, eu e você
que está lendo, já que creio que nenhum adolescente
tenha paciência para ler o que escrevo.
Na maior
parte das vezes não escolhemos a panela e a tampa
certas; não usamos óleo suficiente, ou colocamos demais;
não temos paciência para esperar a quentura, ou queremos
que a pipoca fique pronta muito depressa; não reservamos
um recipiente apropriado para o que esta por vir. Tem
ainda os que querem sofisticar demais a pipoca, com
temperos, molhos e gostos.
Pipoca,
apesar de simples, é uma arte – requer talento e paixão.
Portanto,
capriche! Todos gostamos muito de comer pipoca. E deixe
que depois a gente coloca o sal, cada qual ao seu gosto.
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