Ela
estudava...acho que Ciências Sociais, eu lecionava
computação. Entramos no mesmo ônibus e por acaso
sentamos lado a lado. Não me lembro como nos
apresentamos, mas eu já a conhecia de nome e voz – ela
era locutora de rádio.
Procuramos, como em todo início de relacionamento,
assuntos em comum, coisas que gostávamos e chegamos no
Rubem Alves, que naquela época já fazia sucesso no meio
universitário.
Foi
paixão imediata. Seus olhos brilhavam. Ela falava
apaixonada, com sua voz suave, sobre si, sobre política,
sobre seu trabalho, Rubem Alves, sonhos etc. De tudo,
lembro-me apenas que ela gostava de patinar, o que lhe
dava aquelas belas formas ao seu corpo pequeno. Ela era
bonita, uma bela voz; mas o que mais me impressionava
eram os seus olhos, ou o brilho que havia neles. Paixão.
Olhos apaixonados.
Nossa
“viagem” durou perto de uma hora, mas parece que foi
mais, pelo tanto que falávamos apaixonados; e pouco,
pelo tanto que ainda tínhamos para falar e ouvir.
Ao
chegarmos nos despedimos e nos abraçamos
apaixonadamente, como se nos conhecêssemos há muito
tempo e certos que nos veríamos logo.
Nunca
mais nos vimos. Ou melhor, ela nunca mais me viu!
A vi
novamente quando ela foi apresentar um telejornal na
Manchete ou Bandeirantes e, mais tarde, acho que em 91,
quando saiu na Playboy! Suzana, nua! Como poderia
resistir.
Não era a
mesma. Em ambos os casos, não tinha aquele brilho no
olhar. Aquele brilho era meu. Era nosso. De nossa paixão
de uma hora.
Até hoje
não sei por quem estávamos apaixonados - por ela, por
mim, por nós ou pelo Rubem Alves.
Mas sei,
após 20 anos, que éramos duas pessoas muito apaixonadas.
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