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Paixões do Caminho
 
Antonio Fais
 

Ela estudava...acho que Ciências Sociais, eu lecionava computação. Entramos no mesmo ônibus e por acaso sentamos lado a lado. Não me lembro como nos apresentamos, mas eu já a conhecia de nome e voz – ela era locutora de rádio.

Procuramos, como em todo início de relacionamento, assuntos em comum, coisas que gostávamos e chegamos no Rubem Alves, que naquela época já fazia sucesso no meio universitário.

Foi paixão imediata. Seus olhos brilhavam. Ela falava apaixonada, com sua voz suave, sobre si, sobre política, sobre seu trabalho, Rubem Alves, sonhos etc. De tudo, lembro-me apenas que ela gostava de patinar, o que lhe dava aquelas belas formas ao seu corpo pequeno. Ela era bonita, uma bela voz; mas o que mais me impressionava eram os seus olhos, ou o brilho que havia neles. Paixão. Olhos apaixonados.

Nossa “viagem” durou perto de uma hora, mas parece que foi mais, pelo tanto que falávamos apaixonados; e pouco, pelo tanto que ainda tínhamos para falar e ouvir.

Ao chegarmos nos despedimos e nos abraçamos apaixonadamente, como se nos conhecêssemos há muito tempo e certos que nos veríamos logo.

Nunca mais nos vimos. Ou melhor, ela nunca mais me viu!

A vi novamente quando ela foi apresentar um telejornal na Manchete ou Bandeirantes e, mais tarde, acho que em 91, quando saiu na Playboy! Suzana, nua! Como poderia resistir.

Não era a mesma. Em ambos os casos, não tinha aquele brilho no olhar. Aquele brilho era meu. Era nosso. De nossa paixão de uma hora.

Até hoje não sei por quem estávamos apaixonados - por ela, por mim, por nós ou pelo Rubem Alves.

Mas sei, após 20 anos, que éramos duas pessoas muito apaixonadas.