Era um jogo e eles
jogavam. Mesmo sem saber as regras, jogavam. Não
sabiam o placar, mas jogavam.
Algumas vozes, ainda que
distantes, os apoiavam. Ou será que era o contrário?
Certeza só uma: que de nada era certo. Cada vez que
parecia se aprender as regras, elas mudavam. Ou será
que elas sempre foram assim?
O adversário, muitas
vezes, não era dado ver e, quando se via, já não se
sabia mais se eram companheiros ou adversários ou
outra coisa qualquer muito diferente de tudo.
Técnicos? Tinha aos
montes. O problema é que, no fundo, pareciam
conhecer menos as regras que os jogadores, além do
que apareciam a cada hora com uma fórmula nova,
infalível, que nunca funcionava.
Todos os atalhos
encompridavam o caminho, que os obrigavam a voltar e
refazê-los desde o início.
Os alvos e metas, quando
pareciam sabidos e atingíveis, moviam-se sem parar,
para cima, para baixo, para os lados, para outras
dimensões.
Todos procuravam
respostas e, quando finalmente as encontravam,
parece que as perguntas haviam mudado.
Entre companheiro e
adversários, havia muita gente, mas os jogadores não
tinham uniforme como nos jogos e nas guerras! Vinham
de todos os lados e, muitas vezes, era tarde quando
se podia classificá-los.
Os que algumas vezes os
amavam, em outro momento pareciam odiá-los. E o
contrário também parecia ser verdade.
Por vezes estava muito
escuro e não se via nada; outras, muito claro e nada
se via.
Não se sabia o tempo de
jogo, nem quando tinha começado, nem quando ia
terminar, supondo-se, claro, que tivesse começo e
fim, como um jogo normal. Era sabido ao menos que
estavam no meio de um jogo e só. Ou sós?
O placar, como já disse,
é ignorado. Não é dado sequer saber se está ganhando
ou perdendo, supondo-se também que possam existir,
ainda que momentaneamente, vencedores e perdedores.
Era, no fundo, apenas um
jogo e não sabíamos nem o nome do jogo.