- Caetano
Veloso?
- Nove.
- Vinícius?
- Dez.
Vinícius é dez. Adorava mandar flores com música do
Vinícius. Não tinha como errar.
E
aquela turma que se reunia toda terça para tocar e
cantar seguia animada, dando nota aos compositores.
- Djavan?
- Sete.
- Pô.
Só sete para o Djavan?!
- E
tá bom demais.
- Belchior?
- Oito.
Podia ser mais se tivesse feito mais músicas, mas
parou.
- Gil?
- Nove
e meio.
- Mais
para o Gil que para o Caetano?
- OK.
Dá mais meio pro Caetano também.
- Tom
Jobim?
- Fica
com dez. Pelas músicas e pelas parcerias.
- E
Adoniran Barbosa?
- É
verdade. Como a gente ia esquecendo o Adoniran.
Adoniran, Cartola, Lupicínio, Pixinguinha. Sei lá!
Nove pra cada um.
- E
o Mário Lago?
- Nada
Além, Amélia. Só por essas nove. E ainda era um
grande comunista. Ah! E põe nove aí pro Paulo
Vanzolini: Levanta, sacode a poeira e dá volta por
cima...
- João
Bosco?
- João
Bosco e Aldir Blanc. Dupla boa. Nove para os dois.
- Então
emenda mais um nove para o Ivan Lins e o Vítor
Martins.
- Pô,
cara! Isso não vai ter fim. Ainda tem o Edu Lobo, a
família Caymmi inteira, Milton e o Clube da Esquina,
Carlos Lyra, Menescal e todo o pessoal da Bossa
Nova, Gonzaguinha e Gonzagão.
- É!
Vamos parar por aqui e cantar.
- Mas
faltou um.
- Quem?
- O
Chico? Esqueceram do Chico?
- Espera!
O Chico não conta. Não vai misturar o Chico neste
bolo
- Como
assim?
- O
Chico é o Chico. Não dá para comparar com ninguém.
Aliás até dá: com o Noel. Mas este, infelizmente, só
viveu até os 27 anos.
- É
verdade. Grande Chico. Sessenta anos!
- E
que sessenta anos. Cada música.
- Bem
vividos e bem cantados.
- E
compartilhados com a gente.
- E
agora virou escritor!
- Chico...Escritor.
Não gostei.
- Você
leu Budapest?
- Não.
Tentei ler Estorvo...
- Esquece.
Leia Budapest: uma obra-prima. Bem escrito, bem
humorado. Chico é engraçado, sarcástico. Leia
Budapest e conversamos.
- Um
brinde ao Chico.
- Chico,
Feliz Aniversário!
- Vamos
cantar.
- Qual
música?
- Dá
um Lá
- Ah!
Se já perdemos a noção da hora...