Acordei, como acordo quase
todos os dias, com uma sensação de urgência e de que
algo foi esquecido. Tento, inutilmente, me lembrar do
quê, mas não consigo.
Cheguei um pouco mais cedo
ao trabalho, certo que esta sexta, como quase todas,
seria um dia cheio. Percebi, quase na empresa, que havia
esquecido meu celular. Normalmente voltaria para
pegá-lo, mas resolvi deixar pra lá, afinal há várias
maneiras de me achar.
Fui, como faço quase todos
os dias, antes do meu cafezinho, olhar meus e-mails,
mas, por um problema de satélite, estávamos sem
Internet. Fui tomar café.
Na volta pedi à telefonista
que se informasse quando voltaria a conexão e ela:
-
Você ainda não
sabe? Estamos sem telefone. Roubaram os cabos na estrada
e só deve voltar a funcionar à tardezinha.
Enquanto pensava no que
tinha mais para fazer, notei que aquele barulhinho
incômodo do ar-condicionado havia parado e, ao mesmo
tempo, começaram a apitar os no-breaks dos
servidores (há três em minha sala)! Pego o telefone e
disco nove:
-
Eliana, você
viu com a CPFL o que aconteceu?
-
Eles avisaram
que foi um acidente na estrada. Não há previsão de
retorno ainda.
Após avisar a quem pudesse
interessar sobre o que não funcionaria: Internet,
Telefone e Servidores - e eu ainda sem o celular;
considerei até ir para a cidade, pois em casa teria
telefone, meu celular e Internet, mas, neste momento,
entrou uma verdadeira comitiva em minha sala: a Adriana,
que faz um pouco de tudo na empresa; um gerente; o chefe
do Recursos Humanos e o diretor (leia-se: dono da
empresa)! Quebrando a hierarquia resolvi atender a
Adriana, que fala sem parar, primeiro, embora a solução
do problema dela fosse a mesma de todos: nada a fazer,
apenas esperar. Assim consegui dispensá-la junto com o
chefe do RH.
O gerente, que estava mais
estressado do que normalmente é, foi acalmado pelo
diretor que lembrou que as vendas poderiam ser feitas
manualmente e, enquanto os no-breaks ainda
agüentavam, pediu para fazer um aviso que não poderíamos
receber com cartão de crédito - mais um resolvido.
Falei então ao diretor, que
poderíamos aproveitar estes raros momentos para discutir
o planejamento para os cinqüenta anos da empresa, que
será em 2007, e traçar um esboço de Plano Diretor, que
há muito vínhamos falando, mas sempre interrompidos por
telefonemas e outras prioridades.
Pedi apenas que ele me
esperasse no restaurante da empresa para um cafezinho,
pois tinha algo realmente importante a fazer antes que o
meu no-break parasse em definitivo.
E aqui você tem o relato de
um dia mais calmo que o normal. Bem...vou tomar meu
cafezin... Bee!Bee! |