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Ontem sentamos para papear
em um grupo de amigos, velhos e novos, em tempo e idade:
a faixa etária ia de cinco a oitenta e seis anos! Alguns
de mais de trinta anos de amizade e, outros, recentes,
de poucos meses, mas nem por isso menos amigos, até
porque os novos amigos, depois de certa idade, são muito
bem escolhidos, além de alguns que estavam se conhecendo
ali.
Dá para imaginar que a
conversa, pelas faixas etárias, profissões diversas e
tempo de amizade, também eram bem variadas e, vez por
outra, inacabadas – isso até é bom, porque fica aquela
vontade de encontrar de novo e terminar o assunto ou
história interrompida.
Gosto muito disso, pois nos
fazem buscar histórias guardadas em algum cantinho da
mente, que voltam como se tivessem acontecido ontem
mesmo. Alguns amigos acham ruim, porque certas histórias
que lembro, segundo eles, era melhor que ficassem
esquecidas, ou ao menos, que os atuais cônjuges nunca
soubessem.
Dentre os mais diversos
assuntos, um, atual, que dava para todos comentar,
independente da idade ou da profissão eram as olimpíadas
e, em particular, a medalha que a Daiane não ganhou.
Isso me lembrou de duas
copas do mundo: a de 82, do Telê Santana, que não
ganhamos, mas eu adorei; e a de 94, do Parreira e
Zagalo, que ganhamos, mas foi horrível.
Da última lembro-me de uma
historinha comparando a campanha a um fato cotidiano:
A filha, no domingo à noite,
pede:
-
Pai, sábado
que vem vai ter um baile. Posso ir?
-
Vou pensar. –
Responde o pai, naquele tom distante e austero.
Na segunda, ela voltar a
perguntar:
-
E aí, pai?
Pensou sobre o baile?
-
To vendo. –
Diz ele.
E assim vai por toda a
semana, ele postergando uma decisão simples.
Na sexta à noite ele chama a
filha e diz:
-
Filha, sabe
aquele baile? Pode ir.
-
Pai, -
responde ela em um tom sereno – agora não quero mais.
Meu baile começava na segunda, quando ia ver com minhas
amigas a roupa que ia usar, que amigos iriam, quem ia
tocar, com quem ia dançar!
Assim, também foram as copas
de 82 e 94, a Daiane e é nosso dia a dia: pouco importa
se ganhamos ou não, o que importa é campanha, são os
sonhos e as esperanças das medalhas e títulos, aliados
ao trabalho sério e honesto para consegui-los, ou como
disse ontem a Milena: “O melhor da festa é esperar por
ela”, juntando com o Caio, que gosta de repetir uma
frase do Gilberto Gil: “Não existe o caminho, o que
existe é o caminhar”.
E como é
bom ter esses amigos sérios e honestos para caminhar e
sonhar. Isso, por si só, já é uma vitória! |
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