Ela
procurava no Google poesias de Cora Coralina.
Achou 6290 páginas! E dentre elas, uma muito
interessante de poesias, que vocês verão adiante porque
a omito. Lá havia bons textos de vários autores, famosos
e desconhecidos. Leu, riu muito com uns, quase chorou
com outros e, no final deixou, uma mensagem elogiando a
página.
Dias
depois recebe uma mensagem de agradecimento pela visita
e dizendo que se quisesse poderia enviar poemas para lá.
Resolveu enviar uma poesia linda de uma amiga: Paz
Fugaz, da Márcia Stamato (Veja no Menu! Vale a
pena!).
Assim se
conheceram, Agnes e Paulo, e começaram a trocar algumas
poesias. Como ele percebeu que o e-mail dela era
agnes@hotmail.com, incluiu-a em seus contatos no
MSN e começaram a conversar on-line.
Tinham
em comum, principalmente, o gosto pela poesia. Foram se
descobrindo, lentamente, a ponto desses papos na hora do
almoço começarem a fazer falta.
Ela
estava encantada, afinal homens cultos, agradáveis, que
não saem cantando qualquer mulher logo de cara, andam em
falta. E, mesmo distante e só virtual, é gostoso
conviver com pessoas carinhosas e educadas.
Um dia,
ela lhe pediu para colocar um link para o site de
poesias em uma página que mantinham em sua cidade:
www.turmadomarco.com.br. Contou-lhe que tinham lá
uma turma animada, que publicavam as fotos e os
acontecimentos da cidade. Ele disse que sim e, como não
poderia deixar de ser, foi bisbilhotar na Turma do Marco
para ver como era ela fisicamente, já que sempre quis
perguntar, mas não havia achado de bom tom. Ficou
deslumbrado com ela: dona de um lindo sorriso, em forma,
ar jovial e alegre. Quase só dava ela e sua amiga Sueli
em todas as fotos - encantadora.
Deste
dia em diante as conversas ficaram mais íntimas e
próximas. Já falavam de coisas pessoais: filhos, os
casamentos terminados, sonhos, valores, enfim, o normal
de um casal enamorado.
Em uma
segunda, no horário costumeiro, ele entra no MSN e a
espera. Ela se demora um pouco mais que o habitual.
Assim que ela entra, antes mesmo de falar “oi” ele
pergunta:
- Estava
bom no Anguri?
- Estava
ótimo. Foi aniversário do Beto. Bebemos tanto.
- E
quem era aquele cara que estava abraçado com você? Você
gosta de garotões?
- Daquele,
em especial, gosto muito...É meu filho.
- Ah.
Desculpe. É que sou meio ciumento. – Disse ele meio sem
jeito, certamente ruborizado e meio gaguejante, fato
ocultado por conversarem pela Internet.
- Tudo
bem. – Disse ela, meio envaidecida, um pouco pelo ciúmes
dele, um pouco rindo por achar que ainda poderia namorar
alguém da idade de seu filho.
A semana
foi bem, mas na segunda seguinte, dia que saem as fotos,
ele novamente pergunta em um tom enraivecido – e é
engraçado como podemos perceber estas nuances na forma
escrita depois que conhecemos as pessoas:
- E
aquele de bigode que você estava dançando? Não vai me
dizer que também é seu filho.
- Não,
querido. Aquele é o Marco. O que publica as fotos. Somos
grandes amigos.
- Amigos.
Sei...
- Sim.
Até já viajamos juntos.
- Viajaram?!
Ninguém viaja com amigo.
E antes
que ela dissesse qualquer coisa ele encerrou a conexão!
Dias
depois, quando Paulo entrou na hora do almoço, lá ela
não estava. Pensou: “Ela me bloqueou”. Foi
à pagina da Turma do Marco. Lá estava ela, com o mesmo
sorriso lindo que sempre teve e, ciumento, concluiu: “Já
arrumou outro!”. Mandou-lhe um e-mail impublicável. E,
como não teve resposta, postava todo dia no mural da
página várias mensagens grosseiras.
Dias
depois uma mensagem abala todo mundo no mural: “Amigos é
com pesar que aviso que neste final de semana nossa
grande amiga Agnes faleceu. Que tenha paz!”.
Foi a
última notícia que Paulo teve dela. E nós, que sempre
gostamos de seu belo sorriso, ficamos privados de suas
fotos, pois cada vez que a enquadram para um foto ela,
com tristeza, diz:
- Por
favor, não batam mais fotos minhas!
Mas ao
vivo continua com o mesmo sorriso encantador!
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